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Entrevista com Ida Rolf - Parte II

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Trabalho no joelho

Podemos dizer que a força de gravidade é considerada, no homem, um elemento positivo, enquanto influi positivamente sobre um corpo estruturalmente equilibrado?

Estou firmemente convicta. Tivemos provas continuamente, durante o nosso trabalho. Depois das sessões, muitas pessoas retornam repetindo todas a mesma frase: “Não sei o que aconteceu, não consigo compreender. Sinto-me melhor, durmo e me movimento melhor. Sinto-me mais relaxado e tolerante.” Apenas agimos de modo a que esta pessoa pudesse viver em um ambiente amigável, ao invés de hostil.

Depois das dez sessões protocolares e uma vez obtido o equilíbrio estrutural, a força de gravidade cria um pressuposto necessário de tal modo que o corpo continua em seu trabalho de alinhamento?

Certamente, não temos dúvida. O corpo mesmo prosseguirá sozinho, até onde as leis físicas o permitirem.

A senhora assegura que considerar a Integração Estrutural um sistema estático é errado, somente pelo fato de que produz mudanças contínuas no corpo físico, até chegar ao equilíbrio. Tais mudanças são definitivas ou progressivas?

São mudanças progressivas. Não resta dúvida de que a Integração Estrutural não seja mais do que o início de um processo progressivo de mudança física. Isto se pode notar nas pessoas que se submeteram ao tratamento Rolfing ou, como dizem os amigos, que foram rolfadas. Existem, certamente, outros sistemas de integração estrutural, mas o Rolfing é aquele com o qual há mais oportunidades de entrar em contato e que eu tive a sorte, digamos assim, de comercializar.

Quando começou a afastar-se do âmbito estrito da química?

Fui levada pela circunstâncias externas. Meu pai, antes de morrer, permaneceu longo tempo doente. Trabalhava com construção civil e alguém tinha de se ocupar dos afazeres da família: assim deixei a química para colocar em ordem minhas questões pessoais.

Como se aproximou da idéia de Integração Estrutural?

Não sei, mas me recordo de haver refletido detidamente sobre o que sucederia ao comportamento humano, se fosse modificada a química, enquanto viajava de trem pela Europa. A primeira coisa que poderia modificar a química deveria ser propriamente modificar a física. Disso me lembro, e não sei de onde surgiu esta idéia, foi somente um puro acaso.

Estudou então na Europa?

Sim, estudei na Europa, mas não as minhas primeiras noções básicas. Essas eu as recebi na América. Por volta do final dos anos 30, frequentava semanalmente um grupo de yoga em NyackVilarejo em Rockland Country, Nova York. População menor que 7 mil habitantes (censo 2000), situada a 30km de Manhattan. Fonte: Wikipedia., Nova York. O instrutor se chamava Pierre BernardNascido Perry Backer, em Leon, Iowa (1875-1955). Iogue, ocultista, filósofo e místico. Fundou a Ordem Tântrica da América. Considerado introdutor da filosofia e prática do yoga tântrico nos Estados Unidos. Fonte: Wikipedia. e defendia um pensamento filosófico aceito completamente hoje, mas quase desconhecido na época. Americano, de origem irlandesa, Bernard era um instrutor de yoga tântrico. Creio que toda a família praticasse o tantra. De todo modo, foi levado à prática e, quando chegou à idade adulta, dedicou-se completamente ao ensino do yoga tântrico.

Existe alguma proximidade entre a filosofia tântrica e alguns conceitos relativos à Integração Estrutural?

Certamente. A maior parte das idéias modernas têm relação com uma pura e genuína filosofia tântrica, reproduzida na sociedade americana atual.Também o conceito de que mente e corpo constituem uma única entidade é tântrico e não deriva certamente da medicina ocidental.

Que tradições a influenciaram inicialmente?

No passado dediquei-me à musica, mas este é um capítulo encerrado. Minha mãe esperava que eu me tornasse uma concertista, mas esta não era a minha aspiração maior. Criei dois filhos e afinal dediquei-me sempre à família.

Acredita que teria sido mais vantajoso se fosse formada em medicina?

Certo, poderia, mas não o fiz. Tornei-me, ao invés, bioquímica, porque me foi proposto trabalhar no Istituto Rockefeller. Francamente, devo admitir que a escolha foi ditada pela facilidade maior de obtenção do diploma. É bom recordar que vivíamos uma guerra mundial e que os tempos eram muito difíceis. Estes foram os motivos da escolha.

Quem foi seu primeiro paciente?

Uma professora de música. Certa tarde veio em casa uma conhecida minha. Falou-me da sobrinha, Ethel, professora de música, e sobre o método que ela utilizava e sobre diversas modalidades de ensino. Havia sempre desejado que meus dois fihos recebessem uma educação musical; assim perguntei à minha conhecida se era possível obter da sobrinha as lições de música. “Infelizmente, não”. respondeu-me, “Ethel não dá mais lições de piano. Por causa de uma quedaQueda no buraco de uma calçada em Nova York. A professora moveu uma ação judicial contra a cidade e perdeu. Quando encontrou a dra. Ida Rolf, já havia gasto cerca de 20 mil dólares em médicos e medicamentos. Episódio narrado em Ida Rolf fala sobre Rolfing e realidade física, Summus Editorial. grave perdeu o uso da mão e do braço direto e tem problemas também com a esquerda. Não pode sequer pentear-se, lavar pratos; não consegue fazer mais nada!” Disse de fazê-la vir até mim, de modo que pudesse dar uma olhada. Quando veio, vi o que eu esperava encontrar: a estrutura do braço e da mão direita estava completamente fora de lugar e desorganizada. Depois de alguns encontros, o braço e a mão reconquistaram a funcionalidade perdida. Assim Ethel pôde finalmente voltar a ensinar música, pentear-se e lavar os pratos. Desde então, o meu trabalho é colocar ordem onde existe desordem!

Que coisa a fez pensar que poderia ajudar Ethel? Porque, daquele momento em diante, a senhora não podia considerar-se uma bioquímica, mas uma pessoa que raciocinava em termos de anatomia e estrutura. Tinha talvez estudado anatomia e desenvolvido o conceito de mudança estrutural?

Vou revelar-lhe um segredo, mas o conserve para si! Na minha vida jamais havia estudado anatomia! Somente curando Ethel me dei conta de que, quando um segmento do corpo está fora de lugar, também todos os outros estão. Assim pensei que, se pudesse obter o respectivo alinhamento, obteria também a funcionalidade completa.

Trabalho no joelho

Continua na Parte III

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