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Entrevista com Ida Rolf - Parte III

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Trabalho no joelho

A funcionalidade do braço e da mão direita da professora de música foi obtida no espaço de apenas uma sessão?

Não, certamente! O tratamento durou cerca de três meses e foi interrompido pouco depois com o alistamento dela em um
corpo militar femininoWomen’s Army Corps, equivalente feminino do Exército, onde mulheres eram treinadas como soldados para agir nas frentes de batalha ou em hospitais. Exigia excelente condição física. Fonte: Maria Sílvia de Mourão Netto, em Ida Rolf fala sobre Rolfing e realidade física, Summus Editorial.; de tal forma que também as lições de música dos meus filhos terminaram.

Existe uma incrível diferença entre o trabalho sobre uma parte específica do corpo humano (coisa comum também para um clínico) e o procedimento por fases, segundo observamos no Rolfing. Refiro-me às dez sessões protocolares, adotadas hoje em todo o mundo. Qual é a linha de pensamento que une o trabalho específico sobre uma parte singular do corpo ao conceito de fases progressivas, nas quais o interesse está no corpo enquanto totalidade?

Foi o próprio corpo que me fez compreender isso. É tudo o que posso dizer. O corpo fala por si mesmo. Muitos dos meus alunos entendem o que eu quero dizer quando afirmo uma coisa assim. Se, por exemplo, rolfamos um grupo de dez pessoas durante uma hora, poderemos notar que, depois de um primeiro tratamento, cada uma delas apresentará os mesmos e precisos sintomas: pernas que falham ou então apresentam uma deambulaçãoEm fisioterapia, movimento próprio do andar (marcha). incorreta. Respondendo às solicitações do rolfista, desde a primeira sessão o trabalho de manipulação desencadeia toda uma série de mudanças no corpo, imperceptíveis a olho nu, mas progressivas. E assim o corpo continuará seu percurso de alinhamento, mesmo depois de concluídas as dez sessões, até chegar à sua estrutura natural. Isto é tudo!

As mudanças continuarão até que toda a estrutura corporal chegue ao equilíbrio?

Exatamente! Depois disso, o paciente se sentirá tomado de uma renovada sensação de bem-estar geral.

A propósito, se diz que o Rolfing seria doloroso, a ponto de fazer o paciente urrarConvém situar a pergunta em seu contexto histórico. Na época, anos setenta, estavam em voga terapias como o Grito Primal e outras que davam ênfase às descargas emocionais. O Rolfing não tem nem nunca teve esse propósito. Comentário: Armando Macedo, e que a intensidade da dor física varia de pessoa para pessoa e de corpo para corpo. Seria importante a utilização da voz ou a emissão de um urro, da parte do paciente, durante o processo de Integração Estrutural?

Não insistirei sobre a importância“As pessoas pensam que só porque conseguem liberar quantidades monstruosas de emoções estão sendo ajudadas. Isto faz muito parte das idéias contemporâneas da cultura (…) Tornem claro que estão realizando um trabalho para trazer aquela pessoa a um nível mais elevado de integração espacial; a descarga emocional é como um seixo à beira do caminho.” Fonte: Ida Rolf fala de Rolfing e realidade física. Summus Editorial. da emissão de um urro por si mesmo. Mais importante é o tipo de relação que se instaura entre o paciente e o rolfista e a colaboração recíproca. Todavia, em determinados sujeitos, pode subsistir uma tendência a não manifestar o sofrimento físico, tentando assim reprimi-lo. De todo modo, posso entender que o paciente se lamente, mas não a ponto de urrar, embora este fato não possa ser completamente excluído.

Parece existir uma certa relação entre a técnica do Rolfing e a adotada pela psicanálise, enquanto o objetivo de ambos seria a obtenção de uma espécie de catarseDescarga emocional com finalidade terapêutica, mais comum nas práticas corporais neoreichianas, como a Análise Bioenergética. O método catártico, criado por Joseph Breuer, deu origem à pscanálise de Sigmund Freud. A pergunta deve ser situada também em seu contexto histórico, uma vez que a psicanálise, tanto como o Rolfing, não trabalha com o propósito de produzir descargas emocionais. Comentário: Armando Macedo.. No Rolflng surge uma espécie de catarse, pelo menos nas fantasias espontâneas dos indivíduos.

A semelhança está somente na aparência. A psicanálise libera as tensões emocionais aprisionadas no corpo; e o trabalho do analista estará terminado somente quando o indivíduo tiver se libertado da influência negativa dos sintomas, iniciando uma mudança a nível do corpo físico. A mudança de postura, obtida através da psicanálise, aparece em geral muito lentamente. Já o Rolflng opera de uma perspectiva totalmente diferente. Não partimos de uma chave de leitura a nível psicológico, mas de um nível físico, isto é, da estrutura corporal do sujeito. Nesse processo de liberação, com o equilíbrio da estrutura corporal, também a psique será influenciada completa e positivamente. É claro que não pretendemos substituir o psicanalista, queremos apenas presentear nossos familiares com uma vida prazeirosa e serena e chegar aos resultados mais rapidamente.

Como definiria as tensões emocionais que são liberadas?

Na maior parte dos casos são tensões emocionais negativas. Como se sabe, é impossível chegar a uma completa e eterna felicidade. O que podemos esperar é encontrar uma pessoa que se sinta melhor. Ninguém pode ser “zerado”. As crianças, provavelmente; mas, crescendo também elas, começam a acumular emoções negativas no interior do corpo e na estrutura corporal, causando um enrijecimento de maneira mais ou menos ampla. E o enrejecimento deverá persistir, enquanto não houver uma intervenção que promova uma mudança.

Podemos, desta forma, defini-la como reações involuntárias de defesa?

Exatamente. Reações de defesa involuntárias. Consideremos o caso de um indivíduo em sofrimento. Dificilmente seremos levados a definir o sofrimento como uma postura defensiva, mas esta é, em geral, uma postura dominante que pode ser reconhecida por todos. Se assumimos uma determinada postura e a mantemos constantemente, ela pode tornar-se definitiva, transfomando-se em um modelo estrutural estável. Somente o indivíduo em perfeito equilíbrio físico e psicológico e em um ótimo estado de equilíbrio estrutural, estaria provavelmente em condições de reequilibrar tais músculos, de modo a implementar um equilíbrio que lhe permitisse desembaraçar-se de sua postura ruim e de assumir uma nova e correta.

Dra. Rolf, a senhora acredita que certas partes do corpo, ou zonas musculares, são fortemente influenciadas por estados emocionais especiais ou existem motivos mais gerais?

Há uma tendência a projetar essa teoria no interior do rolfing, avalizada até por muitos rolfistas. Pessoalmente, porém, não penso dessa maneira! Também Bille SchtuzPossível referência a Will Schutz, autor de Joy, de Here Comes Everybody e de Evy, e um dos primeiros a escrever sobre Rolfing no início dos anos 1970. Fonte: Ida Rolf fala sobre Rolfing e realidade física. Summus Editorial. nos tenta convencer da validade dessa idéia, apresentando uma série de argumentos dos quais, sinceramente, não compartilho. Não creio, por exemplo, que uma pessoa em sofrimento possa ser afligida em determinada parte do corpo mais do que em outras. Nos homens, por exemplo, a tensão acumulada pode frequentemente afligir a zona inguinal, mas nem sempre e nem em todos os homens isso acontece.

Trabalho no joelho

Continua na Parte IV

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